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Novos fundos de areia "encomendados" para a Caparica chegam na próxima quinta-feira

Após uma suspensão de cinco meses forçada pela agressividade do inverno, a intervenção de alimentação artificial das praias do concelho de Almada está prestes a ser retomada.

Costa da Caparica Surf

A partir da próxima quinta-feira, 16 de abril, as dragas voltam ao trabalho na Costa da Caparica e S. João da Caparica, numa operação que promete alterar drasticamente a fisionomia daquelas que são as praias mais frequentadas da Grande Lisboa.


A empreitada, da responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Administração do Porto de Lisboa (APL), representa um investimento total de quase 9milhões de euros (€8 968 999,73). O objetivo é devolver às praias a massa sedimentar perdida após um inverno rigoroso, marcado por sucessivas tempestades que deixaram o areal reduzido à sua expressão mínima.


O Impacto no Surf, novos fundos e o potencial de "tubos"

Para a comunidade de surfistas, esta notícia é recebida com uma mistura de expectativa e cautela. A alimentação artificial de uma praia com esta escala, um milhão de metros cúbicos, significa que os fundos da Costa e de S. João vão sofrer uma mutação profunda nos próximos meses.

A reposição de areia emersa (no areal) acaba invariavelmente por ser distribuída pelo mar. Se o calendário de execução for cumprido e as ondulações de final de primavera/início de verão colaborarem, o excesso de areia será puxado para o mar, criando bancos de areia mais rasos.


No curto/médio prazo, este processo pode resultar em picos mais consistentes e ondas mais tubulares, à medida que a areia se deposita em zonas estratégicas, "endireitando" fundos que foram destruídos pela erosão das tempestades de 2025/2026.


Cronograma e Segurança

Os trabalhos foram suspensos em novembro de 2025 devido à falta de condições de segurança no mar. Com a previsão de agitação marítima favorável para os próximos dias, as entidades adjudicantes decidiram retomar a obra para garantir que o areal esteja reforçado antes do pico da época balnear.


Recorde-se que esta obra é financiada pelo PACS (Programa Temático para a Ação Climática e Sustentabilidade), refletindo a urgência na proteção da linha de costa face às alterações climáticas e à subida do nível médio do mar.


Nota da Redação: O à Deriva recomenda a todos os surfistas atenção redobrada durante os próximos 60 dias. A presença de maquinaria pesada e a alteração súbita de correntes e fundos devido à descarga de sedimentos requerem precaução extra dentro e fora de água.

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