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Margaret River como não conhecemos na próxima etapa do CT

O CT 2026 ruma à força bruta de Margaret River entre 16 e 26 de abril, mas as previsões prometem um cenário longe do habitual. Entre ondulações que podem atingir os seis metros e um regime de ventos onshore desfavorável, a WSL prepara-se para uma corrida contra o cronómetro para salvar a etapa, num palco onde o power surfing será a única resposta possível e as portuguesas Yolanda Hopkins e Francisca Veselko procuram o seu espaço no caos do Oeste Australiano.

Direitos de Imagem: WSL | John John Florence
Direitos de Imagem: WSL | John John Florence

Depois de uma abertura em Bells Beach marcada pela escassez de tamanho, o CT ruma ao Oeste Australiano para a segunda etapa da temporada. Entre 16 e 26 de abril, o palco é Main Break, mas quem esperava o Margaret clássico, aquele monstro de água cristalina e offshore cortante, pode ter de preparar o estômago para um cenário bem mais "sujo".


Margaret River é conhecida pela consistência bruta, mas o mapa de previsão para 2026 traz um sabor amargo. O problema não será a falta de massa de água, mas sim a qualidade.


Os primeiros dias (16 a 18) apresentam condições oscilantes, com vento onshore e sideshore a alternar. O "dia de ouro" está marcado para 19 de abril (madrugada de 19 em Portugal). Previsão de 3 metros de onda e vento offshore. Será, muito provavelmente, o único dia de Margaret clássico.


A partir do meio do dia 20, a porta fecha-se. Prevê-se a entrada de um vento onshore forte e constante que deverá permanecer até ao final do período de espera (dia 26). Esperam-se ondulações constantes acima dos 3 metros, podendo atingir picos de 6 metros. Teremos um mar gigante, pesado, mas muito desordenado.

O nosso take: Considerando as previsões atuais, a WSL não tem margem de manobra. A organização deverá forçar o máximo de baterias nos dias 16, 17 e 18 para tentar coroar os vencedores no dia 19. Caso não o consiga, arrisca-se a terminar o evento num cenário caótico.

Main Break exige experiência e, acima de tudo, força. Não é por acaso que nomes como John John Florence, Jordy Smith e o local Jack Robinson (duas vezes vencedor aqui) dominam as contas. Com as paredes mais verticais e secções pesadas, a técnica de "rail-to-rail" será o critério rei.

Neste cenário de mar pesado e vento onshore, as portuguesas Yolanda Hopkins e Francisca Veselko podem encontrar o seu elemento. Habituadas à força do Atlântico e a condições muitas vezes imperfeitas na costa portuguesa, a resiliência física será a sua maior arma na estreia no Oeste Australiano:

  • Heat 2: Yolanda Hopkins defronta Brisa Hennessy (Costa Rica). Yolanda procura capitalizar a sua agressividade num mar que promete ser exigente.

  • Heat 3: Francisca Veselko mede forças com a norte-americana Bella Kenworthy.

Embora os tubos de The Box sejam sempre o desejo dos fãs, as previsões atuais colocam essa opção na prateleira. O foco estará totalmente na sobrevivência e no power surfing em Main Break.

Resta saber se a WSL conseguirá bater o vento ou se Margaret River 2026 será recordada como a etapa em que o mar foi demasiado grande para a qualidade que se exigia.

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