A WSL muda de onda, Raglan substitui Jeffreys Bay em 2026
- Redação À Deriva
- 26 de jan.
- 2 min de leitura
A World Surf League anunciou a entrada de Raglan, na Nova Zelândia, no calendário do Championship Tour de 2026, confirmando ao mesmo tempo a saída de Jeffreys Bay, na África do Sul, uma das ondas mais icónicas da história do surf de competição.

A nova etapa, o New Zealand Pro, realiza-se entre 15 e 25 de maio em Manu Bay, um point break de esquerda localizado na costa oeste da Ilha Norte, e será a quarta paragem do CT. A prova conta com o apoio do Governo da Nova Zelândia, fator determinante para a sua inclusão no circuito.
Apesar de apresentada como uma celebração da diversidade de ondas e da inclusão de uma esquerda clássica no tour, a mudança surge num contexto financeiro mais complexo do que o comunicado oficial da WSL faz parecer.
Poucos dias antes do anúncio oficial, a Stab Magazine revelou que Jeffreys Bay estaria em risco de sair do tour, citando dificuldades crónicas em angariar patrocinadores e custos operacionais elevados. Segundo a publicação, J-Bay era uma das etapas mais caras do calendário e dependia de um equilíbrio financeiro cada vez mais frágil.
Kelly Slater comentou publicamente o tema, apontando várias razões estruturais:
“Provavelmente a falta de subsídios do governo, e patrocinios limitados, somados a um custo operacional e um fuso horário que impacta na quantidade espectadores."
A própria WSL acabou por confirmar esta leitura. No comunicado, o CEO Ryan Crosby admitiu que a etapa sul-africana não é viável em 2026 por falta de apoio financeiro, sublinhando que a decisão foi tomada a pensar na sustentabilidade do circuito como um todo.

Raglan tem um histórico relevante no surf de competição, mas a sua entrada no CT em pleno 2026 só foi possível graças ao envolvimento direto do governo neozelandês, que vê o evento como uma alavanca para o turismo e para a projeção internacional do país.
A etapa contará com trials organizados pela Surfing New Zealand, que atribuirão wildcards a um homem e a uma mulher. Será também a primeira vez em vários anos que o CT inclui um left-hand point break “clássico”, algo que vários surfistas vinham a pedir.
Ainda assim, a troca levanta questões inevitáveis. A substituição de uma das ondas mais icónicas do mundo por uma etapa financeiramente mais segura reforça a ideia de que, no CT atual, a viabilidade económica pesa tanto, ou mais, do que o valor simbólico das ondas.
O calendário de 2026 mantém 12 etapas, com um formato mais agressivo. Sem rondas não eliminatórias e com cortes no final temporada. Após a nona etapa, apenas 24 homens e 16 mulheres seguem em prova até ao encerramento no Pipe Masters, no Havai.
A saída de Jeffreys Bay marca mais um sinal de que o CT está cada vez mais dependente de subsídios governamentais, grandes patrocinadores locais e mercados com retorno mediático garantido, mesmo que isso implique deixar para trás ondas históricas.
Raglan entra no mapa. J-Bay sai, pelo menos por agora.O surf ganha uma nova esquerda no calendário, mas perde, uma das suas catedrais.










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