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Miguel Pupo e Gabriela Bryan conquistam Bells Beach em modo "Winkipop"

Terminou esta madrugada a etapa inaugural do Championship Tour (CT) de 2026 da WSL. O mítico Rip Curl Pro Bells Beach, que dadas as condições se mudou para a vizinha Winkipop, deu o pontapé de saída à temporada com um sabor agridoce no que toca ao mar.

Direitos de Imagem: WSL & Ed Sloane
Direitos de Imagem: WSL & Ed Sloane

Apesar das previsões épicas que prometiam um dia de gala, a realidade entregou ondas de apenas meio metro, forçando os atletas a um esforço redobrado na procura de pontos em condições longe do ideal.


No quadro masculino, o dia foi marcado por uma forte presença da Brazilian Storm e, particularmente, dos surfistas de base goofy. Gabriel Medina foi o grande destaque em termos de performance pura, registando o score mais alto de todo o dia nos quartos de final. Uns expressivos 17.40 que ditaram a eliminação do compatriota Samuel Pupo.

Contudo, a caminhada do tricampeão mundial terminaria nas meias-finais. Num duelo de titãs contra o atual campeão do mundo, Yago Dora. Medina não conseguiu converter a sua consistência em vitória. Yago carimbou a passagem à final com um total de 16.33, deixando Medina à porta da decisão por uma margem mínima (16.17).


Do outro lado da chave, Miguel Pupo aproveitou a vantagem de já ter garantido o seu lugar nas "meias" no dia anterior. Após eliminar Griffin Colapinto, o experiente surfista brasileiro chegou à final com o ritmo afinado. Frente a Yago Dora, Pupo superiorizou-se com um total de 15.60, conquistando o seu segundo evento no CT, um feito que não repetia desde a mítica vitória em Teahupoo, em 2022.


Visivelmente emocionado e agora detentor da licra amarela de número 1 do mundo, Miguel Pupo reagiu com humildade.

"Não acredito. Estava a sonhar com este momento. Tanto trabalho, aos 34 anos e com 14 temporadas no currículo, se me dissesses que eu seria o número 1 do mundo nesta altura do ano, eu iria rir-me de ti. Trabalhei duro, vou ao ginásio três vezes por dia, só descanso ao domingo e vim cedo para a Austrália. Estou feliz."

A vitória teve ainda um significado pessoal profundo, coincidindo com o aniversário da sua filha.


No lado feminino, a narrativa parecia escrita para a rookie Alyssa Spencer, que vinha a dizimar a concorrência com notas altíssimas. No entanto, o seu caminho cruzou-se com o de Gabriela Bryan. A havaiana, que já tinha eliminado a portuguesa Francisca Veselko nos oitavos de final, provou ser melhor em Winkipop.

Numa meia-final de alto nível, Gabriela (regular footer) levou a melhor sobre Alyssa com um score de 15.44 contra os 14.67 da norte-americana.


Na grande final, o desafio era Molly Picklum, a atual detentora do título mundial. Contudo, Picklum não se encontrou nas ondas pequenas, não indo além de um 4.50 na sua melhor onda. Com um sólido 14.83, Gabriela Bryan subiu ao lugar mais alto do pódio, reafirmando-se como uma das surfistas mais perigosas do circuito, especialmente em direitas longas.


O CT 2026 arranca assim com os brasileiros a dominar no masculino e o Havai a impor-se no feminino, num evento onde a técnica superou a falta de tamanho das ondas.


Direitos de Imagem: WSL

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